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Artigo Nr. 24

ACADEMIA OLÍMPICA BRASILEIRA: DESAFIOS PARA O SÉCULO XXI

ACADEMIA OLÍMPICA BRASILEIRA: DESAFIOS PARA O SÉCULO XXI
 
Otávio Tavares[1]
 
Quando alguém se propõe a pensar um tema pelo viés de suas perspectivas futuras, o exame das experiências passadas de predição do futuro, tem revelado que esta é uma empresa perigosa. Nada a comentar quando os exercícios de predição ‘do que vem’ se encerram na dimensão da magia e do transcendente. Estes são campos mesmo da crença, ainda que muitas vezes travestidos de um discurso de racionalidade, como por exemplo andaram e andam prometendo as chamadas ‘ciências esotéricas’. Mas, quando a proposta de pensar o futuro, comentar suas possibilidades, ameaças e promessas, vem condicionado por uma forma racional e acadêmica, então se é forçado a reconhecer que a maioria das previsões sobre o futuro conheceu bem mais o erro que o acerto. Observe-se, contudo, que isto não significa dizer que, por oposição, a maioria dos acertos se deu por obra do acaso.
Parece bastante evidente hoje que a complexidade do cenário do desenvolvimento humano nos impõe, se queremos ser honestos e/ou cautelosos, cada vez mais usar fórmulas já tradicionais do discurso científico tais como: “parece”, “indica”, “sugere”, e outras. A pretensão de constituição de uma ciência histórica que elaborasse modelos capazes de não só explicar o passado como também predizer o futuro, tem sido gradualmente substituída por modelos mais interpretativos, muitas vezes fecundados por aportes teóricos das chamadas ‘ciências exatas’, tais como a complexidade, a incerteza e o caos. Isto não significa dizer que compartilhamos de um ceticismo científico sobre o futuro.
O que desejo expressar aqui é que devemos evitar a tentação de prevermos fenômenos e fatos como se eventos exatos fossem. Assim, no correr deste texto, procurarei me manter no limite da perspectivação de cenários a partir da leitura do presente, da prospeção de desenvolvimentos em relação à experiências anteriores e da observação de tendências [2]. Torna-se então evidente que nossa abordagem aqui baseia-se no entendimento de que o que chamamos de desafios para o futuro são antes de mais nada os problemas do presente colocados na perspectiva de sua superação.
Dentro deste contexto, me dedicarei a examinar tópicos que apresento  como desafios para a ação futura da Academia Olímpica Brasileira (AOB) mas que, penso, podem ser estendidos à outras instituições e pessoas ligadas à área olímpica em nosso país.
 
Primeiro Desafio
Penso que o primeiro desafio da Academia Olímpica Brasileira (AOB) é o de sua própria constituição, da transformação de seus objetivos e possibilidades em realidade. Ou seja, posicionar-se institucionalmente de maneira mais clara dentro da estrutura do Movimento Olímpico no Brasil.
Em um ambiente historicamente voltado para a prática e desconfiado dos ‘teóricos’ e dos ‘intelectuais’, a AOB terá que, em primeira instância, mostrar-se útil para o dirigentes do esporte no Brasil. Isto significa vencer inclusive a tradição da maioria das academias olímpicas do mundo, adornos politicamente corretos da estrutura olímpica incentivados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), com pouca ou  nenhuma realização significativa. Ou também o modus operandi daquelas Academias realmente envolvidas com o estudo e o desenvolvimento do Olimpismo que, como a Academia Olímpica Internacional (Grécia), estão predominantemente voltadas para o debate escolástico dos fundamentos humanísticos do Olimpismo.
No âmbito da recém fundada AOB (25/08/1997), numa primeira abordagem, os estudos olímpicos tem sido tratados na perspectiva da produção do conhecimento, do auxílio à formação de pesquisadores e da elaboração de estudos voltados às questões nacionais. A AOB tem buscado estes objetivos através da constituição da estrutura mais enxuta e barata possível. A ambição é que a AOB seja, na realidade, o encontro de pessoas, a realização de estudos e o intercâmbio de informações, tendo como meio principalmente o virtual.
Embora, por si só estes já sejam desafios importantes, a AOB necessita mais. É importante que a AOB demonstre ao COB e as confederações sua ‘utilidade’, e isto só será alcançado na medida em que ela conseguir realizar a ponte entre o mundo acadêmico, seja em que área de concentração for, e o dia-a-dia do desenvolvimento esportivo nacional. É perceptível que atualmente é muito grande a distância entre as universidades e centros de pesquisa e as organizações dirigentes do esporte nacional, com prejuízos para ambas as partes. Neste sentido, o Fórum Olímpico 2000 foi um exemplo concreto de como esta idéia pode ser desenvolvida.
Outro ponto crítico reside na posição da AOB em relação ao projeto acalentado pelo COB de criação de uma ‘universidade do esporte’. O quer que isto venha a ser, esta ‘universidade’, em última análise, estará voltada para preparação de recursos humanos para o esporte de alto rendimento, o que implica necessariamente na mobilização de recursos materiais e humanos das mais diversas áreas. Qual o papel destinado e/ou possível para a AOB nesta instituição? Os membros da AOB precisam discutir ativa e rapidamente esta questão. Penso que a AOB deve estar gradualmente envolvida de alguma forma em programas de desenvolvimento de técnicos, atletas, dirigentes e demais profissionais ligados ao esporte. A Academia pode, por exemplo, vir a ser o canal brasileiro para os programas de desenvolvimento esportivo patrocinados pela Solidariedade Olímpica ou mesmo auxiliar com expertises e pessoal qualificado a direção do COB no atendimento às diversas solicitações institucionais que lá chegam quase que diariamente. Enfim, colocar-se não só na perspectiva da produção do conhecimento como também no sentido de sua aplicação. Somente assim a AOB garantirá junto ao COB o acesso a um volume maior de recursos, elemento indispensável a superação dos outros desafios que se colocam diante dela.
 
Segundo Desafio
Um segundo desafio para mim, seria o de dar conta da grande variedade e complexidade dos temas ligados ao Olimpismo. Originalmente o Olimpismo está baseado na tríade ‘esporte, cultura e educação’. Não irei discutir aqui os limites e as possibilidades assim como a realização deste trinômio olímpico. Basta reconhecer a evidente complexidade presente para um Movimento que se propõe internacional e independente em realizar tais objetivos coordenadamente.
Não obstante estas constatações, é possível perceber que a crescente importância do esporte e do Movimento Olímpico no mundo contemporâneo, colocou sobre ele novas responsabilidades. Tomando emprestado o conceito de mimesis de Norbert Elias, diria que o Movimento Olímpico internacional mais do que fazer parte do sistema mundial de poder conforme estabelecido pelo sociólogo finlandês Paavo Seppanen (1987), exemplifica e reflete as modificações do cenário contemporâneo. O recente slogan da campanha institucional do COI, “Celebrando a Humanidade” é a perfeita tradução da ousada, e diriam os críticos, megalômana missão auto-imposta de representar o que a humanidade tem de melhor. Isto significa atrair sobre o Movimento Olímpico toda a sorte de expectativas e cobranças. Tentando colocar isto em termos, significa dizer hoje que questões como a do atleta, da mulher, da preservação do meio-ambiente, da saúde, da ética, da justiça, da democracia e do multiculturalismo estão presentes de uma forma ou de outra na agenda olímpica.
Neste contexto, a medida que a dimensão do Olimpismo vai transcendendo o  esporte pura e simplesmente, vai ficando também cada vez mais complexo e espectro administrativo  olímpico. Não casualmente, são em número cada vez maior as comissões criadas para assessorar o comitê executivo do COI nestas diversas interfaces criadas com o Movimento Olímpico. Gradualmente o mesmo fenômeno vai se repetindo na esfera dos comitês olímpicos nacionais.
Por outro lado, aumentam também na mesma proporção, o número de áreas pertinentes aos estudos olímpicos, o que significa, em tese, a exigência de um esforço maior por parte das academias olímpicas para acompanhar e estudar temas diversos, sem perder porém o sentido central da área.
Aqui surge evidentemente um impasse. Como conciliar assuntos tão diversos sem aumentar desmesuradamente sua estrutura? Este parece ser um grande desafio. Em face da expectativa da Academia como um centro promotor do Olimpismo, o crescente número de questões relativas ao Movimento Olímpico impõe um desafio constante. Talvez a resposta a esta questão esteja na flexibilidade da estrutura e não no seu crescimento puro e simples. Provavelmente a melhor solução seja a AOB colocar-se de maneira aberta à pessoas interessadas a estudar este ou aquele tema pelo viés olímpico. Orientando, criticando, encaminhando, fornecendo apoio bibliográfico e abrindo oportunidades, por exemplo.
 
Terceiro Desafio
Um terceiro desafio para a AOB está na formação de quadros, de pessoal academicamente qualificado. Hoje é escasso o número de pesquisadores brasileiros interessados em estudos olímpicos. Ainda que possa ser dito que importa aqui mais a qualidade que a quantidade, o fato de termos apenas uma linha de pesquisa financiada e pequenos e incipientes centros de estudos olímpicos torna a questão da formação crítica. Todavia, considerados os recursos materiais e financeiros disponíveis assim como as características tradicionais do Movimento Olímpico, a Academia deve colocar-se como uma agência para a formação de pesquisadores do Olimpismo. Não parece ser viável, pelo menos por enquanto, transformar a AOB em um núcleo de formação acadêmica.
Seu papel, neste âmbito, deverá residir na interligação entre os diversos centros de estudos olímpicos nacionais e do estrangeiro, facilitando o contato entre professores e alunos destes centros. Neste sentido, deve passar necessariamente pela AOB a seleção dos participantes das Sessões Internacionais e dos alunos para os Seminários de Pós Graduação em Olimpismo da AOI, assim como deve ser papel da AOB incentivar a participação brasileira nos outros eventos realizados pela Academia de Olímpia Antiga como os encontros de diretores de escolas de educação física ou de jornalistas esportivos, por exemplo.
Ao colocar-se nesta posição, a Academia pode vir a ser um importante veículo de contato, um indutor dos estudos olímpicos no Brasil e mesmo na América Latina. Assim como, pode ajudar a fornecer um sentido de fluxo à formação de pesquisadores em Olimpismo. Esta idéia de fluxo, com efeito, deve ser examinada com atenção. Não parece ser novidade nenhuma dizer que a formação de um profissional de alto nível é um processo longo, e no caso do Olimpismo, caro. Assim, para evitar o risco sempre presente de potenciais candidatos mais interessados nas viagens que na formação e produção de conhecimento, a perspectiva de fluxo de formação e o potencial de carreira devem ser levados seriamente em consideração.
Também parece ser importante que a Academia assuma uma atitude pró-ativa no sentido da realização de encontros, seminários e, associada a instituições maiores, até mesmo congressos, de modo a auxiliar a promoção do debate e a veiculação da produção desenvolvida. A experiência demonstra que eventos deste tipo servem não só para orientar os estudos, pesquisas e idéias principais de uma determinada área, como também servem de estímulo para novas pesquisas e novos pesquisadores.
 
Quarto Desafio
Um quarto desafio para a AOB, para mim extremamente ligado à questão da formação, se encontra no fomento à produção de textos sobre Olimpismo voltados para as condições brasileiras. Apesar do avanço recente da produção local, fruto da linha de pesquisa coordenada pelo Prof. Dr. Lamartine DaCosta no Programa de Pós Graduação em Educação Física da Universidade Gama Filho (Rio de Janeiro, RJ), ainda somos bastante carentes de textos que estudem o Olimpismo e as questões relativas ao esporte pelo viés  olímpico. Embora interessantes como cultura geral, não me parece que sejam necessários mais incentivos a textos meramente descritivos dos Jogos Olímpicos da Grécia antiga. A história do esporte no Brasil ainda está para ser contada. Para ser justo, vem sendo contada com bastante ênfase nestes quase dez anos de encontros nacionais de história do esporte, lazer e educação física. Todavia há ainda muito para ser descrito e estudado e, me permito dizer, o Olimpismo tem papel central nesta história.
Entendemos o Movimento Olímpico como um grande ‘laboratório’ para o estudo do esporte sob condições sincrônicas e diacrônicas, possivelmente comparadas, tanto no plano nacional quanto internacional. Assim, no que se refere as múltiplas possibilidades de abordagens da prática esportiva, os estudos olímpicos são um viés importante para a pesquisa. Penso especificamente no caso da sociologia do esporte, na qual em nosso país os estudos são quase inexistentes. Me parecem claras as possibilidades de pesquisa nesta área tendo como eixo o movimento olímpico no Brasil.
Entretanto, apenas agora a publicação de textos na área dá sinais de vencer o ‘estrangulamento’ dado pela ausência de uma política de publicação de autores de textos de cunho mais analítico tanto nacionais quanto do estrangeiro[3]. A ausência de textos, cuja tentativa pioneira de superação foi feita por ‘Estudos Olímpicos’ (1999), comprometia a circulação das idéias sobre o tema e a formação de novos pesquisadores, sujeitos a leitura de textos em Inglês principalmente. De qualquer forma, as novas publicações em mídia digital a serem lançadas no Fórum 2002, se por um lado barateiam a divulgação do material, por outro, ainda restringem o manuseio e a consulta mais tradicionais que ainda é feita predominantemente em papel. Talvez a AOB tenha que pensar em formas de, usando o peso específico do COB e parcerias com editoras universitárias e comerciais, estimular a publicação da literatura atualizada da área.
 
Quinto Desafio
A educação olímpica é para mim o quinto desafio. E talvez o maior deles todos. Ainda mais porque nem o COB e muito menos a AOB tem, em princípio, responsabilidades e autoridade sobre qualquer dos níveis do sistema educacional brasileiro. Esta observação é importante na medida em que por diversas vezes são cobradas às instâncias do Movimento Olímpico internacional atitudes e decisões absolutamente fora da esfera de competência destas instituições. Então, no que se refere ao assunto educação olímpica, esta ausência de responsabilidade direta sobre o sistema educacional é também por seu turno um grande complicador da questão. Como implementar programas de educação olímpica sem ter ligações diretas com o sistema educacional?
Mas o que seria ‘educação olímpica’? Dito de maneira breve, seria um projeto de ação educacional, ou seja um conjunto de ações limitadas e definidas e conteúdo próprio mas não uma metodologia, baseados na prática esportiva e no referencial olímpico e que se utilizasse deles, tanto na prática quanto na teoria, para transmitir valores claramente identificados com o  Olimpismo. De todo o modo, a idéia e, consequentemente, as experiências de educação olímpica são ainda bastante recentes[4]. De alguns anos para cá, sediar os Jogos Olímpicos tem sido o mote para que sejam implementados programas específicos nas cidades e regiões onde eles são realizados que buscam de alguma maneira aproveitar positivamente a experiência cultural ímpar que é sediar uma competição olímpica. Infelizmente conhece-se pouco ou nada das características e dos resultados destes programas aplicados.
O conhecimento nesta área tem evoluído mais pela elaboração de consensos do que  pelo acúmulo de experiências. Neste caso pode ser dito que a definição de conteúdos e programas tem se dado pelo topo e não pela base. Isto não é necessariamente crítico em face da já mencionada ausência de ligação orgânica entre o Movimento Olímpico e o sistemas educacionais nacionais. Na realidade, as experiências da educação a partir do Movimento Olímpico se mantém na linha já antevista por Coubertin para superar a dicotomia entre um movimento internacional que se pretendia educativo e as questões nacionais, a exemplificação pela elaboração de modelos.
Examinados os dois principais documentos já feitos no tema (Binder, 1995; Binder, 2000), observa-se que os principais conteúdos abordados se dividem em cinco grandes temas: (1) Os Jogos Olímpicos antigos e do presente; (2) Atividade física e saúde; (3) Fair Play; (4) Multiculturalismo; (5) Excelência. Além disto, no desenvolvimento destes conteúdos são sugeridas atividades destinadas a estimular a  transdisciplinaridade e o desenvolvimento cultural através das artes. Já no plano das academias olímpicas, pode ser dito que o melhor material é aquele produzido pela Academia Olímpica Britânica, a qual, inclusive, tem sido pioneira na capacidade de articular-se com universidade para o desenvolvimento de uma  produção de qualidade[5].
No Brasil, devido ainda ao estágio inicial das atividades da AOB, as tentativas de desenvolvimento de ações de mesmo cunho tem sido objeto de atenção limitada. No entanto, é possível perceber que há ainda muito a ser desenvolvido em termos de qualidade no que tem sido realizado, independente do mérito de terem tentado.
Penso que  primeira questão a ser enfrentada no Brasil não é a da articulação entre a AOB e os sistemas educacionais formais. Antes é necessário desenvolver um produto a ser oferecido, o que nos remete a duas outras questões específicas de forma e conteúdo que precisarão serem equacionadas. No que se refere a conteúdo não basta traduzirmos e adaptarmos os matérias já existentes, aliás, de grande qualidade pedagógica. É necessário que pensemos nas necessidades específicas do(s) quadro(s) brasileiro(s). Assim, imagino que ‘inclusão’ há de ser um dos grandes temas que um projeto de educação olímpica deva tratar, ou como um conteúdo específico, ou como um tema transversal à todos os conteúdos. Em um país com tantas disparidades e exclusões, não é possível que deixemos de abordar este aspecto. Outra questão importante se refere a forma de produção do material. Me parece realístico que trabalhemos sempre com a perspectiva de recursos reduzidos, deste modo, a busca de formas mais baratas de produção é algo que se impõe. A primeira vista, dentro desta perspectiva, a produção e a veiculação virtuais parecem ser a solução mais adequada. Possuem custo muito baixo de produção, praticamente inexistente de distribuição e, permite atualizações constantes com perda muito pequena do material anteriormente distribuído obtendo assim grande economia de recursos. A questão atual reside no número ainda muito baixo de pessoas que possuem acesso ao conjunto ‘computador, linha telefônica, impressora’, indispensável para a realização desta alternativa. Embora a via virtual pareça ser inequivocamente a alternativa do futuro, as limitações do presente nos condicionam a pensar que tipo e que forma de produto deverão ser preparados, se forem preparados, para que sejam a melhor alternativa possível no presente. A AOB terá que discutir isto brevemente.
 
Concluindo
Ao apresentar este conjunto de reflexões sobre os desafios que cercam o futuro da Academia Olímpica Brasileira, não pretendi ser exaustivo. Outras pessoas podem pensar em outros desafios para a AOB, acrescentando-os a esta lista, ou mesmo discordar daqueles que apresentei aqui, mas com certeza, todos estaremos de acordo que existem desafios a serem superados. A constituição de uma academia olímpica no Brasil está em pleno desenvolvimento. É ainda um projeto novo, se adequando entre os limites e as possibilidades identificadas. E é da própria natureza deste processo que os desafios surjam e se multipliquem.
Tenho também consciência que alguns dos desafios que entendo devam ser superados, estão certo desacordo com a estrutura da AOB inicialmente planejada. São puramente expressões de uma visão estratégica que possuo da AOB e, que penso ser importante que venha a ser implantada. Isto não significa dizer que haja de minha parte uma oposição com o que tem sido feito até agora. Muito pelo contrário. Conhecendo as especificidades que regem as ações do Movimento Olímpico no Brasil, a estratégia de implantação da Academia tem se revelado a mais adequada.
Evidentemente, tudo do que aqui foi discutido merece um aprofundamento maior. Cada uma destas questões, no processo de suas resoluções, pode e deve ser estudada em um nível de profundidade bem maior.  Este texto é então, em última análise, um levantamento, um rol do que pode ser no futuro a AOB. Que sejam realizadas estas e outras projeções para o desenvolvimento do Olimpismo em nosso país.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
BETTI, M. ‘Educação Física, Esporte e Cidadania’. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 20, n. 2 e 3, Abril a Setembro de 1999, pp. 84-92.
 
BINDER, D. (ed.) Keep the Spirit Alive. You and the Olympic Games. Lausanne: International Olympic Committee, 1995.
 
______. (ed.) Be a Champion in Life. Athens: Foundation of Olympic and Sport Education, 2000.
 
GIRGINOV, V. & PARRY, J. Olympic Themes [CD-ROM]. London: University of Luton / University of Leeds / British Olympic Foundation, [2000].
 
SEPPANEN, P. As Olimpíadas - Uma Perspectiva Sociológica. Lisboa: Ministério da Educação e Cultura, 1987.
 
TAVARES, O. e DaCOSTA, L.P. (Ed.) Estudos Olímpicos. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 1999, pp.6-12.

[1] Professor assistente do DG/CEFD/Universidade Federal do Espírito Santo
[2] Creio ser sempre útil neste tema recordarmos a posição do pensador alemão Walter Benjamim, para quem o presente não deve ser entendido como o resultado previsível de um desenvolvimento necessário.
[3] O volume de textos em estudos olímpicos a serem lançados neste Fórum é um sinal positivo de avanço ao mesmo tempo que demonstra a existência de uma produção não revelada até então.
[4] O que não tem impedido que o tema já tenha sofrido ‘censura acadêmica’. Um exemplo pode ser dado pela maneira como Mauro Betti trata o tema em artigo publicado na Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 20, n. 2 e 3, Abril a Setembro de 1999, pp. 84-92.
 
[5] A este respeito constate-se o CD-ROM Olympic Themes, produzido através de uma parceria com as universidades de Luton e Leeds. Cf. www.luton.ac.uk/olympic.

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